Lei 15.724 garante suporte voluntário a alunos e funcionários, respeitando a diversidade religiosa.

Em uma decisão que promete gerar debate e oferecer um novo tipo de suporte à comunidade escolar, a Prefeitura de João Pessoa, na Paraíba, sancionou a Lei Ordinária nº 15.724, de 09 de dezembro de 2025. A nova legislação autoriza a presença de capelães voluntários nas escolas da Rede Municipal de Ensino, com o objetivo principal de oferecer suporte espiritual e emocional a estudantes e funcionários.

A medida, de autoria do Vereador Carlão Pelo Bem, foi publicada no Diário Oficial e entra em vigor imediatamente. Ela estabelece um marco na relação entre o poder público e a oferta de apoio não-pedagógico no ambiente educacional.

A Lei 15.724 permite que capelães, ligados a instituições religiosas reconhecidas, atuem de forma voluntária e opcional nas escolas municipais de João Pessoa. O apoio se dará por meio de orientação, aconselhamento e atividades focadas no bem-estar emocional e psicológico. É crucial ressaltar que a lei é clara ao determinar que a atuação dos capelães não interferirá nas atividades pedagógicas e deverá respeitar a diversidade religiosa de todos os envolvidos.

O suporte será oferecido dentro do horário escolar, sob a coordenação da equipe pedagógica e da direção da unidade de ensino. Além das escolas municipais, a legislação prevê que as instituições de ensino da iniciativa privada também poderão aderir ao programa de capelania voluntária.

Lacuna de suporte

A discussão sobre o bem-estar emocional e a saúde mental de estudantes e educadores tem ganhado destaque no cenário educacional pós-pandemia. A Lei 15.724 surge neste contexto, buscando preencher uma lacuna de suporte que, segundo os defensores da proposta, pode complementar o trabalho já realizado por psicólogos e assistentes sociais escolares.

Pontos-Chave da Implementação:

Aspecto
Detalhe da Lei
Tradução para o Leitor
Natureza da Ação
“Ação voluntária e opcional.”
Ninguém é obrigado a participar. O serviço é oferecido por livre e espontânea vontade do capelão e do beneficiário.
Não Interferência
“Não interferirá nas atividades pedagógicas da escola.”
O foco é o suporte emocional/espiritual, sem invadir o currículo ou o tempo de aula.
Requisitos do Capelão
Vínculo de 5 anos com instituição religiosa reconhecida e submissão às orientações da SEDEC.
Garante que o voluntário tenha experiência e siga as diretrizes educacionais do município.
Coordenação
“Sob a coordenação da equipe pedagógica e direção da unidade de ensino.”
O trabalho do capelão será supervisionado pela escola, garantindo alinhamento com as regras internas.

A Secretaria de Educação e Cultura Municipal (SEDEC) será a responsável por coordenar a presença dos capelães, um ponto fundamental para garantir que os princípios da lei, especialmente o respeito à liberdade religiosa, sejam mantidos.

A tradução de termos técnicos, como a própria “capelania”, que no contexto legal significa a assistência religiosa em instituições civis ou militares, para o conceito de “suporte espiritual e emocional”, torna a lei mais acessível ao público.

A iniciativa partiu do Poder Legislativo Municipal, sendo sancionada pelo prefeito Cícero Lucena. A autoria do projeto é do Vereador Carlão Pelo Bem.

“A Secretaria de Educação e Cultura Municipal – SEDEC será responsável por coordenar a presença dos capelães, garantindo que as atividades realizadas estejam de acordo com os objetivos desta lei e respeitem a liberdade religiosa de todos os participantes.” (Art. 6º da Lei Ordinária nº 15.724)

O Desafio da Neutralidade e da Diversidade

O principal desafio na implementação da Lei 15.724 será equilibrar a oferta de suporte espiritual com a garantia da laicidade do Estado e o respeito irrestrito à diversidade religiosa. A lei tenta blindar-se contra críticas ao enfatizar, no Art. 4º, que a atuação é opcional e deve respeitar “sempre a diversidade religiosa de todos os envolvidos”.

A forma como a SEDEC irá fiscalizar e garantir que o apoio espiritual não se converta em proselitismo religioso e nem ocupe o lugar dos profissionals da Psicologia será o ponto de atenção nos próximos meses. (Texto: redação Click100 / Imagem de capa: Freepik)

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