Estado figura entre os cinco com maior número de vítimas libertadas em operações fiscais
O combate ao trabalho escravo no Brasil atingiu números históricos em 2025, e a Paraíba desponta como um dos estados com maior número de vítimas libertadas. De acordo com dados divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), 253 trabalhadores foram resgatados em território paraibano ao longo do ano, colocando o estado entre os cinco com mais ocorrências desse tipo.
O resultado integra um cenário nacional marcado por 2.772 resgates em 1.594 ações fiscais, que garantiram mais de R$ 9 milhões em verbas rescisórias às vítimas. Na Paraíba, as operações revelaram situações de exploração extrema, incluindo jornadas exaustivas, alojamentos precários e restrição de liberdade.
O levantamento também mostra que o Disque Direitos Humanos – Disque 100 registrou 4.516 denúncias de trabalho escravo em 2025, o maior número da série histórica iniciada em 2011. Embora São Paulo e Minas Gerais concentrem a maior parte dos registros, a Paraíba aparece com destaque no ranking de resgates, evidenciando a gravidade do problema no estado.
Segundo Paulo Cesar Funghi, coordenador-geral de Erradicação do Trabalho Escravo do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, os números reforçam a necessidade de intensificar políticas públicas. “Cada denúncia representa uma possibilidade concreta de romper ciclos de exploração e assegurar direitos às vítimas”, afirmou.
A coordenadora-geral do Disque 100, Franciely Loyze, destacou que o aumento das denúncias reflete maior conscientização da população. “A elevação dos números evidencia uma sociedade menos receosa de denunciar, especialmente por se tratar de um canal sigiloso”, disse.
Além dos resgates, mais de 48 mil trabalhadores tiveram direitos trabalhistas assegurados em fiscalizações, mesmo quando não foi caracterizada a condição de escravidão contemporânea. Na Paraíba, especialistas avaliam que os dados revelam tanto a persistência da violação quanto o fortalecimento dos mecanismos de denúncia e fiscalização.
O Disque 100 funciona 24 horas por dia, de forma gratuita, e pode ser acionado por telefone, WhatsApp, Telegram ou pelo site do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania. O canal é considerado a principal porta de entrada para denúncias de violações de direitos humanos no país. (Texto: redação Click100 / Imagem de capa: reprodução arquivo MTE)
