Evento em João Pessoa discutirá medidas urgentes de segurança em unidades de saúde
A violência contra profissionais de saúde no Brasil atingiu níveis alarmantes. Em 2024, mais de 4,5 mil ocorrências foram registradas em delegacias de todo o país, envolvendo ameaças, injúrias, desacato e até agressões físicas dentro de unidades de saúde. Isso significa que, em média, a cada duas horas um médico ou outro profissional foi vítima de algum tipo de violência em seu ambiente de trabalho.
Na Paraíba, os números revelam um cenário ainda mais preocupante. Pesquisa realizada pelo Conselho Regional de Medicina da Paraíba (CRM-PB) mostrou que 80,4% dos médicos entrevistados já sofreram violência verbal. Além disso, 62,2% relataram episódios de violência moral, 9,5% foram vítimas de agressões físicas e 5,2% sofreram violência sexual. Situações de discriminação também foram relatadas por 37,2% dos profissionais. Outro levantamento, feito pelo Sindicato dos Médicos da Paraíba (Simed-PB), apontou que 90% dos pediatras que atuam nas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) de João Pessoa se sentem inseguros no trabalho.
Diante desse quadro, o Conselho Federal de Medicina (CFM) e o CRM-PB promovem na próxima terça-feira (10/02), em João Pessoa, o evento “Segurança no Exercício da Medicina”, que reunirá autoridades locais e representantes da categoria. O encontro discutirá a Resolução CFM 2.444/25, que entra em vigor em março e estabelece medidas como controle de acesso, videomonitoramento, instalação de botões de pânico e obrigatoriedade de notificação de agressões às autoridades competentes.
O presidente do CRM-PB, Bruno Leandro de Souza, destacou que os médicos não podem ser responsabilizados pelas falhas estruturais do sistema de saúde. “Quando a violência chega ao médico, ela já atingiu outros trabalhadores da área. A população precisa apoiar o seu médico, fazer dele um aliado e não responsabilizá-lo pelas falhas no atendimento”, afirmou.
Para o conselheiro federal Raphael Câmara Medeiros Parente, relator da resolução, o novo marco normativo é essencial para garantir dignidade e segurança no exercício da medicina. “É inadmissível que profissionais dedicados à preservação da vida atuem sob ameaça constante, sem qualquer garantia de proteção ou amparo institucional”, disse.
O evento pretende abrir caminho para políticas mais efetivas de proteção, reforçando que a violência contra médicos é também um problema de saúde pública, com impacto direto na qualidade do atendimento oferecido à população. (Texto: redação Click100 / Imagem de capa: Freepik Krakenimagescom)
Segurança no Exercício da Medicina
10/02/2026 – terça-feira
8h30 às 12h
Sede do CRM-PB em João Pessoa (Av. Dom Pedro II, 1335, Torre)
