Suspensão de dívidas até 20 de janeiro impacta unidades industriais no estado
A Companhia de Tecidos Norte de Minas (Coteminas), conhecida como ‘Grupo Coteminas’, um dos maiores conglomerados têxteis do país, conseguiu prorrogar até 20 de janeiro o prazo de suspensão da execução de dívidas — conhecido como stay period. A medida reduz o risco de cobranças judiciais enquanto o juiz decide sobre a homologação do plano de recuperação judicial aprovado em dezembro.
A decisão tem impacto direto na Paraíba, já que o plano prevê a venda de imóveis industriais localizados no estado, além de unidades em Minas Gerais, Rio Grande do Norte e Pará. Esses ativos serão utilizados como instrumentos para pagamento de credores, por meio da criação de fundos imobiliários e de direitos creditórios.
Contexto da recuperação
A recuperação judicial da Coteminas começou em maio de 2024 e foi confirmada pela 2ª Vara Empresarial de Belo Horizonte em julho. O plano aprovado em assembleia geral de credores prevê diferentes modalidades de pagamento, incluindo limites para dívidas trabalhistas e condições específicas para micro e pequenas empresas.
Na frente trabalhista, os pagamentos serão limitados a 150 salários mínimos (R$ 227,7 mil) em até 36 meses, corrigidos pela inflação. Entre os credores trabalhistas, a aprovação foi apertada, com 51,06% de votos favoráveis. Já os credores com garantia real aprovaram o plano por unanimidade.
Impacto regional
Na Paraíba, a venda de imóveis industriais pode gerar repercussões econômicas e sociais, já que o setor têxtil tem relevância histórica na geração de empregos e renda. A alienação desses ativos pode representar tanto uma oportunidade de reestruturação quanto um desafio para a manutenção da atividade produtiva local.
Disputa e perspectivas
Os credores com garantia real terão a opção de se tornar cotistas de um fundo imobiliário ou receber parte do crédito em até 30 anos. Para microempresas e pequenos negócios, o plano prevê pagamentos iniciais de R$ 7.000, corrigidos pela inflação, seguidos de quitação parcial após três décadas.
Em comunicado ao mercado, a Coteminas afirmou acreditar que “alcançará uma estrutura financeira que viabilizará um novo ciclo de crescimento”. O Ministério Público e o Judiciário devem acompanhar de perto os desdobramentos, especialmente no que diz respeito às unidades industriais da Paraíba. (Texto: redação Click100 / Imagem de capa: reprodução internet)
