Os 18,5 salários mínimos ao paraibano têm origem em recursos públicos via fundo partidário
O salário de R$ 30 mil mensais pago pelo Partido Liberal (PL) ao ex-ministro da Saúde Marcelo Queiroga tornou-se pauta de destaque na imprensa nacional. O cardiologista paraibano, que comandou a pasta durante o governo Jair Bolsonaro, integra desde fevereiro de 2025 a folha de pagamentos do diretório nacional da legenda, ocupando o cargo de “assessor especial”.
De acordo com informações enviadas pelo PL à Justiça Eleitoral, a remuneração de Queiroga é custeada com recursos públicos provenientes do fundo partidário. Após os descontos, o valor líquido recebido pelo ex-ministro é de aproximadamente R$ 22 mil mensais.
Atualmente, Queiroga também exerce a função de presidente estadual do PL na Paraíba, seu reduto político, e já sinalizou intenção de disputar uma vaga no Senado em 2026. Em entrevista, ele justificou o salário como uma forma de compensação pelo apoio que presta ao partido em temas ligados à saúde. “A atuação como dirigente partidário não é remunerada”, afirmou.
A repercussão do caso na imprensa nacional evidencia o debate recorrente sobre o uso de recursos partidários para custear cargos internos e assessorias. A prática é legal, mas levanta questionamentos sobre transparência e prioridades na aplicação do fundo, especialmente quando envolve figuras públicas de grande visibilidade.
Analistas políticos avaliam que a remuneração de Queiroga expõe o PL a críticas sobre a gestão de verbas públicas. O episódio também reforça a estratégia da legenda de manter ex-integrantes do governo Bolsonaro em posições de destaque, consolidando sua base de apoio para futuras disputas eleitorais.
A divulgação do salário de Queiroga evidenciada pelo Metrópoles, portanto, não apenas revela os bastidores da política partidária, mas também antecipa os movimentos de um ex-ministro que busca se reposicionar no cenário político brasileiro. (Texto: redação Click100 / Imagem de capa: reprodução Metrópoles | Gustavo Moreno)
