Contaminação em praias de João Pessoa ganha repercussão nacional e ameaça fluxo turístico
A temporada de verão em João Pessoa, capital da Paraíba, foi marcada por um episódio que ganhou repercussão nacional em vários portais de notícias: o despejo irregular de esgoto nas praias de Tambaú, Manaíra e Cabo Branco, áreas turísticas que registraram água escura e resíduos sólidos.
O servidor público Dannyel Delgado, de 36 anos, que viajou do Rio Grande do Sul para passar férias na cidade, relatou frustração ao encontrar o mar impróprio para banho:
“É uma tristeza a gente encontrar João Pessoa com esgoto na praia. Volto meio constrangido para o Rio Grande do Sul, de saber que não está tão legal”, afirmou.
Impacto no turismo
O episódio ocorre em plena alta temporada, quando a ocupação hoteleira supera 90%, segundo a Associação Brasileira da Indústria de Hotéis da Paraíba (ABIH-PB). A crise ambiental ameaça a imagem de João Pessoa como destino turístico e pode comprometer a vinda de novos visitantes.
Disputa política
O problema reacendeu embates entre prefeitura e governo estadual. O prefeito Cícero Lucena (MDB) responsabilizou a Cagepa, estatal de saneamento ligada ao governo da Paraíba, por falhas no sistema sanitário. Já o presidente da Cagepa, Marcus Vinícius Neves, acusou a gestão municipal de não fiscalizar ligações clandestinas de esgoto nas galerias pluviais.
O impasse ocorre em meio a tensões políticas, já que Lucena deve disputar o governo estadual contra o candidato apoiado pelo atual governador João Azevêdo (PSB).
Atuação institucional
A promotora de Meio Ambiente de João Pessoa, Cláudia Cabral, destacou que o problema é multifatorial e exige ação conjunta:
“Quando um ente transfere a responsabilidade ao outro, o problema ambiental continua, e quem sofre é a população, o meio ambiente marinho e a imagem da cidade.”
O Ministério Público da Paraíba convocou reunião emergencial e prepara relatório técnico com diagnóstico das causas da contaminação.
Histórico e dados
O despejo irregular de esgoto nas praias não é novo: há pelo menos duas décadas o problema se repete. Em 2025, todos os pontos de medição estavam próprios para banho, segundo a Sudema, mas a primeira análise de 2026 ainda não foi divulgada.
Dados do Instituto Trata Brasil apontam que João Pessoa possui cobertura de esgotamento sanitário em 78% dos domicílios, índice que revela avanços, mas ainda deixa lacunas que favorecem ligações clandestinas e descargas irregulares.
Possíveis implicações
A crise ambiental pode comprometer a economia local, que depende fortemente do turismo, além de gerar riscos à saúde pública e à biodiversidade marinha. A repercussão nacional amplia a pressão por soluções rápidas e efetivas, sob pena de afastar visitantes e prejudicar a reputação da capital paraibana como destino turístico seguro e sustentável. (Texto: redação Click100 / Imagem de capa: reprodução internet)
