Projeto BINGO é mencionado em documento que levanta suspeitas militares

Um relatório divulgado pelo Congresso dos Estados Unidos colocou o estado da Paraíba no centro de uma disputa geopolítica. O documento, intitulado “Pulling Latin America into China’s Orbit”, aponta que instalações científicas brasileiras, incluindo o projeto BINGO (Baryon Acoustic Oscillations from Integrated Neutral Gas Observations), poderiam ser utilizadas pela China em uma rede de monitoramento espacial com potencial militar.

O BINGO é um consórcio internacional de pesquisa em cosmologia que busca compreender fenômenos como a energia escura por meio da detecção de sinais de rádio extremamente fracos. O radiotelescópio, em construção no município de Aguiar (PB), terá uma antena parabólica de 40 metros e foi projetado para captar emissões do hidrogênio neutro, permitindo mapear oscilações acústicas de bárions e contribuir para o entendimento da expansão do universo.

O relatório americano descreve o projeto da seguinte forma:

O laboratório se baseia no projeto Bayron Acoustic Oscillation in Neutral Gas Observations (BINGO), uma iniciativa multinacional de radioastronomia concebida para detectar oscilações acústicas de bárions (BAOs) por meio da observação em frequência de rádio. O BINGO é um esforço colaborativo que envolve instituições de pesquisa do Brasil, China, África do Sul, Reino Unido, Suíça e França. O telescópio está atualmente em construção em São Paulo e, quando concluído, será transportado para a Serra do Urubu, próxima à cidade de Aguiar, no Brasil.”

Apesar de sua finalidade científica, o relatório sugere que estruturas como o BINGO poderiam integrar uma rede de “uso dual”, ou seja, com aplicações civis e militares. Segundo o texto, tais instalações reforçariam a capacidade da China de rastrear satélites e ampliar sua vigilância global.

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Diante da repercussão, o Governo da Paraíba adotou uma postura cautelosa. O secretário de Ciência e Tecnologia, Cláudio Furtado, afirmou que o estado só se pronunciará oficialmente após um posicionamento do Itamaraty, por se tratar de uma questão diplomática. “O projeto é científico e voltado para a cosmologia. Aguardamos uma manifestação do Ministério das Relações Exteriores para nos posicionarmos”, declarou.

O caso evidencia como iniciativas científicas locais podem ser envolvidas em disputas internacionais de segurança e tecnologia. Enquanto pesquisadores defendem o caráter acadêmico do BINGO, o relatório americano amplia o debate sobre soberania e cooperação científica em território brasileiro.

Clique aqui para conferir o relatório completo divulgado pelo Congresso dos EUA. (Texto: redação Click100 / Imagem de capa: reprodução Ascom UFCG)

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