Relatório nacional expõe disparidade salarial entre gênero e raça em grandes empresas paraibanas
O 5º Relatório Nacional de Igualdade Salarial, divulgado pelo Ministério do Trabalho e Emprego em parceria com o Ministério das Mulheres, trouxe à tona dados preocupantes sobre a realidade da remuneração feminina na Paraíba. Em dezembro de 2025, a média salarial das mulheres negras em estabelecimentos com 100 ou mais empregados foi de R$ 2.101,60, valor inferior tanto ao recebido pelos homens quanto ao das mulheres não negras.
Enquanto as mulheres negras ficaram na base da pirâmide salarial, as mulheres não negras alcançaram média de R$ 2.750,59. A diferença é ainda mais acentuada quando comparada aos homens: os trabalhadores negros receberam R$ 2.558,76, e os não negros chegaram a R$ 3.483,73. Já a média geral das mulheres, somando todos os grupos, foi de R$ 2.281,52, contra R$ 2.776,21 dos homens.
Contexto e desigualdade estrutural
Os números revelam que, apesar do crescimento da participação feminina no mercado formal, a desigualdade salarial permanece como barreira significativa. A situação das mulheres negras evidencia uma dupla exclusão: por gênero e por raça. Essa combinação limita o acesso a melhores salários e reforça a necessidade de políticas públicas específicas.
O relatório nacional destaca que o aquecimento da economia e a expansão do emprego formal não foram suficientes para eliminar disparidades históricas. “O avanço da inclusão produtiva não elimina a necessidade de medidas concretas para reduzir a distância salarial entre homens e mulheres”, aponta o documento.
Impacto social e perspectivas
Na Paraíba, os dados reforçam a urgência de ações voltadas para a equidade. A transparência salarial, segundo especialistas, é um instrumento essencial para expor desigualdades e pressionar empresas a corrigirem distorções. Além disso, a divulgação pública dos números permite que sociedade civil e gestores acompanhem de perto os avanços — ou retrocessos — na luta por igualdade.
O desafio, agora, é transformar a maior presença das mulheres no mercado em ganhos reais de renda. Para isso, será necessário garantir que trabalhadoras negras tenham acesso não apenas a empregos formais, mas também a remunerações compatíveis com suas funções e responsabilidades. (Texto: redação Click100 / Imagem de capa: Freepik)
